Formatei minhas memórias

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Dia desses meu computador reclamou de falta de memória, me avisou que não estava conseguindo pensar direito, que as coisas antigas não deixavam ele fazer coisas novas, me identifiquei com ele, sei como é ser atormentado por velhas memórias, a gente fica guardando elas e não sobra espaço pra criar novas histórias, muito menos para respirar aliviado.

Selecionei algumas músicas que faziam tempo que não eram tocadas, exclui arquivos que eu nem sei como foram parar no meu desktop e ele parou de reclamar por alguns dias, a gente faz isso também né? Vamos ao cinema, tomamos um porre e por breves momentos achamos que vai ficar tudo bem, afinal, aquelas lembranças não estão mais tão evidentes.

Ledo engano, no fundo do HD ainda existiam centenas de fotos, dos passeios, das viagens, esperando ainda uma próxima data especial para serem motivo de constrangimento em alguma rede social da moda, ou ainda, que em um sábado chuvoso seja parte de uma tarde, onde um café quente e sorrisos relembrem os bons tempos de outrora. Só que isso não vai acontecer, e só olhar a data de última abertura, faz muito tempo em que não tem nem sentido abrir tais arquivos, mas guardamos, lotamos nosso computador por causa de um apego com o que passou, um reflexo de nossa mente, que insiste em lembrar, relembrar e reviver dezenas de vezes momentos que não podem ser reprisados, e estão nos cegando para o presente, para viver novas coisas.

E foi em um domingo, bem parecido com o domingo em que grande parte desses arquivos foram gerados, que acordei, preparei meu café e decidi que precisava solucionar essa questão, de uma vez, sem medidas paliativas. E foi assim que formatei meu computador, sem direito a backup, sem direito a uma última abertura, agora o HD corre livre e faceiro por seus bits e kbytes livres, e com ele, minha mente parece ter entendido o recado: formate suas memórias.

Não é tão glamouroso como um roteiro de Hollywood e nem precisei que pessoas entrassem em casa e sumissem com cada lembrança ou objeto que carregava consigo suas próprias lembranças, também duvido que o brilho de uma casa limpa e sem memórias seja eterno, afinal, a idéia é que abra mais espaços para outras épocas, outras histórias e mais lembranças, mais por hora, eu formatei minhas memórias e soltei o último fio que talvez ainda me prendia em alguma coisa.

Everton Lima é Desenvolvedor Web, aficionado por tecnologia e café, Practitioner em PNL, com formação em Hipnose e ciclista amador.

Everton Cerqueira Everton Lima Cerqueira
Agência SOMA - Especializados em WordPress
São José dos Campos, São Paulo, 12233 Brasil
http://www.evertonlima.net

2 thoughts on “Formatei minhas memórias

  1. Boa reflexão Everton.
    Eu tenho a impressão que esse apego pelas lembranças passadas e objetos são mais comuns nas gerações mais antigas. Acredito que as novas gerações são mais imediatistas e desapegam com mais facilidades das coisas. Mas sem dúvida se desapegar e abrir espaço para novas experiências.

    Excelente texto.

    Abraço.

    1. Valeu pelo Comentário Djalma, é um ótimo pensamento esse seu, eu realmente não tinha pensado nisso, antigamente tínhamos um apego por albuns de fotografias, e a minha geração já percebo que perdemos um pouco disso.

      Mas mesmo assim tem esse apego por fotos digitais e memórias “eletrônicas” rs

      Abraço

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